Eternamente grávida
Quase todo mundo adora ter um animalzinho de estimação, os campeões requisitados são os gatos e os cachorros, sei que isso não é novidade pra ninguém. Mas existe um grupo de pessoas que gostam de ter um bicho de estimação, mas um que não dê muito trabalho, que fique quieto no seu canto e que seja bonito de ser ver, daí que entram em cena os peixes ornamentais. Possuem diversas formas, diversos tamanhos e infinitas cores. Alguns especialistas até dizem que eles são terapêuticos, nos fazem relaxar, adoramos olhar o peixinho nadando e fazendo as suas piruetas no minúsculo mundo que é o seu aquário, tudo isso num sincronismo que parece ensaiado com as bolinhas de ar que saem do tubo de aeração.
Pensando em tudo isso, decidi ter um aquário em casa, além do mais, criança adora animais e como moramos em um “apertamento” gatos e cachorros estavam fora de questão, e nem é muito do nosso agrado mesmo. Dei a notícia para as minhas filhas que eu compraria um aquário e colocaria alguns peixinhos, os quais daríamos comida e cuidaríamos deles e eles fariam de certa forma parte da nossa família. Comprei o aquário, de certa forma pequeno, uns 40cm x 30cm, mas suficiente para criar alguns peixinhos, escolhi pedrinhas, tudo isso sob a tutoria de um amigo que adora peixes ornamentais, todo mundo tem aquele amigo que é especialista em alguma coisa, o especialista em mexer no nosso celular, o especialista em assar churrasco, o especialista em futebol, essas coisas. Inclusive ele até me deu uma bomba para o aquário, já que os peixes precisam ter uma água aerada para que possam obter o oxigênio necessário para sobreviver.
Na hora de escolher os peixes, escolhi um casal de molinésias negras, um casal de “espadas” e um casal de acará bandeiras, esses últimos bem pequenos, quando maior o peixe mais caro ele é, mas é até melhor comprar pequeno porque o peixe acaba ficando mais tempo com você. O tempo passou, os peixes cresceram, alguns morreram e foram substituídos por outros da mesma espécie (ou não), mas o casal de acará bandeira sobreviveu, cresceu e apareceu. Confesso que nem sabia que era um casal, até porque a senhora que me vendeu avisou logo que não tinha como saber quem era o macho e quem era a fêmea, mas que provavelmente eu estava levando um casal.
Quem cria algum animal de estimação sabe que o ápice de um “criador” é conseguir colocar o animal para procriar, demorou muito tempo, até mais de um ano que isso arriscasse acontecer. Numa manhã comum como todas as outras que acordo para ir ao trabalho, me deparei com o casal de peixinhos (fiquei sabendo que o negro era o macho e a mais clara com barriga amarelada era a fêmea, notei pela distensão do abdome que ela apresentava) digamos assim, numa intimidade peculiar, parecia que rolavam beijos e caricias entre os dois, além disso eles roçavam as cloacas (alguns animais tem apenas um orifício comum tanto para urinar quanto para defecar e até procriar). Fiquei animado, minha animação aumentou assim que a noite chegou, a fêmea tinha botado centenas de ovos minúsculos, acredito que num espaço de 1mm caberia uns cinco, a animação tomou a casa, minhas filhas ficaram em polvorosa, teríamos peixinhos novos no aquário. Fomos dormir, porém, na manhã seguinte a decepção nos abraçou, nenhum ovo de resto, provavelmente os outros peixes do aquário teriam comido.
Depois disso o fenômeno começou a se repetir uma vez ao mês, ou até mais frequente, a “peixa” põe seus ovos, mas eles nunca vingam, os outros peixes os comem ou eles simplesmente não chegam a gerar um peixinho. Só que isso tudo não importa para a futura mamãe, ela não desiste, não importa quantas vezes ela se decepcione, sempre vai tentar reproduzir, notei que o abdome dela nunca mais voltou o normal, ele sempre está distendido, o que me leva a pensar que ela tem muitos ovos guardados ali dentro. Quantas vezes ela irá pôr ovos antes de morrer mesmos sabendo que nunca dará certo? Não sei, será que algum dia ela conseguirá ser mamãe? Também não sei, só sei que ela segue a vida na tentativa de reproduzir, segue a sua vida eternamente grávida...
Pensando em tudo isso, decidi ter um aquário em casa, além do mais, criança adora animais e como moramos em um “apertamento” gatos e cachorros estavam fora de questão, e nem é muito do nosso agrado mesmo. Dei a notícia para as minhas filhas que eu compraria um aquário e colocaria alguns peixinhos, os quais daríamos comida e cuidaríamos deles e eles fariam de certa forma parte da nossa família. Comprei o aquário, de certa forma pequeno, uns 40cm x 30cm, mas suficiente para criar alguns peixinhos, escolhi pedrinhas, tudo isso sob a tutoria de um amigo que adora peixes ornamentais, todo mundo tem aquele amigo que é especialista em alguma coisa, o especialista em mexer no nosso celular, o especialista em assar churrasco, o especialista em futebol, essas coisas. Inclusive ele até me deu uma bomba para o aquário, já que os peixes precisam ter uma água aerada para que possam obter o oxigênio necessário para sobreviver.
Na hora de escolher os peixes, escolhi um casal de molinésias negras, um casal de “espadas” e um casal de acará bandeiras, esses últimos bem pequenos, quando maior o peixe mais caro ele é, mas é até melhor comprar pequeno porque o peixe acaba ficando mais tempo com você. O tempo passou, os peixes cresceram, alguns morreram e foram substituídos por outros da mesma espécie (ou não), mas o casal de acará bandeira sobreviveu, cresceu e apareceu. Confesso que nem sabia que era um casal, até porque a senhora que me vendeu avisou logo que não tinha como saber quem era o macho e quem era a fêmea, mas que provavelmente eu estava levando um casal.
Quem cria algum animal de estimação sabe que o ápice de um “criador” é conseguir colocar o animal para procriar, demorou muito tempo, até mais de um ano que isso arriscasse acontecer. Numa manhã comum como todas as outras que acordo para ir ao trabalho, me deparei com o casal de peixinhos (fiquei sabendo que o negro era o macho e a mais clara com barriga amarelada era a fêmea, notei pela distensão do abdome que ela apresentava) digamos assim, numa intimidade peculiar, parecia que rolavam beijos e caricias entre os dois, além disso eles roçavam as cloacas (alguns animais tem apenas um orifício comum tanto para urinar quanto para defecar e até procriar). Fiquei animado, minha animação aumentou assim que a noite chegou, a fêmea tinha botado centenas de ovos minúsculos, acredito que num espaço de 1mm caberia uns cinco, a animação tomou a casa, minhas filhas ficaram em polvorosa, teríamos peixinhos novos no aquário. Fomos dormir, porém, na manhã seguinte a decepção nos abraçou, nenhum ovo de resto, provavelmente os outros peixes do aquário teriam comido.
Depois disso o fenômeno começou a se repetir uma vez ao mês, ou até mais frequente, a “peixa” põe seus ovos, mas eles nunca vingam, os outros peixes os comem ou eles simplesmente não chegam a gerar um peixinho. Só que isso tudo não importa para a futura mamãe, ela não desiste, não importa quantas vezes ela se decepcione, sempre vai tentar reproduzir, notei que o abdome dela nunca mais voltou o normal, ele sempre está distendido, o que me leva a pensar que ela tem muitos ovos guardados ali dentro. Quantas vezes ela irá pôr ovos antes de morrer mesmos sabendo que nunca dará certo? Não sei, será que algum dia ela conseguirá ser mamãe? Também não sei, só sei que ela segue a vida na tentativa de reproduzir, segue a sua vida eternamente grávida...
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