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Mostrando postagens de 2022

Distopia

O ano é 2002, eu tenho apenas 21 anos. Acordo bem assustado. Tive um pesadelo. Uma coisa bem maluca, sonhei com cerca de 20 anos no futuro, e ao contrário do que eu sempre imaginei, as ruas não estavam cheias de carros elétricos e com um ar de modernidade, na verdade, os carros estavam bem surrados e as ruas nem tão bem pavimentadas assim. Levanto-me da cama, me olho no espelho e me deparo com alguns fios brancos de barba no queixo, meu rosto tem uma aparência um pouco mais cansada e os fios de cabelos parecem um pouco mais escassos – curioso como o envelhecimento se assemelha primeiro a um grande cansaço do rosto, só depois as rugas se formam. Ignoro o que vejo e vou tomar um banho, olho para baixo e ainda consigo ver os pés e outras coisas, prova de que a idade não me foi tão cruel assim – será se isso ainda faz parte do sonho? Após a higiene diária eu me sento à mesa e todos conversam sobre coisas rotineiras, não consigo prestar muita atenção no que falam, porém noto que falta p...
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A face oposta do bordado

O bordado é uma técnica que consiste em fazer figuras ou letras manualmente com agulha e linha sobre um tecido. Pode ser uma roupa comum, um lindo vestido de noiva ou um simples guardanapo de cozinha. Por serem muito trabalhosas, as peças bordadas, na maioria das vezes possuem um valor elevado.  Nossas avós adoravam bordar. Junto com o crochê era uma atividade voltada tanto para o adorno quanto uma espécie de terapia. Um dia desses peguei uma dessas peças bordadas e fiquei analisando as linhas que formavam as letras, notei como aquilo era muito bem feito, nem parecia que tinha sido confeccionado artesanalmente. Quando virei a peça e vi o seu lado oposto me deparei com fiapos, pedaços de linhas e cores misturadas, o bordado tinha defeitos no seu lado oposto. Ao contrário do que possam imaginar, esse fato não desmereceu a beleza da peça, aliás, fez com que eu a achasse ainda mais bonita. Depois disso me veio essa reflexão; Por mais que tentemos deixar a vida perfeita nunca conseguire...

Cinderela moderna

 Todo mundo conhece a história da cinderela. Uma pobre menina é maltratada por sua madrasta, um certo dia uma fada madrinha lhe concede um desejo de ir ao baile e por lá ela encontra um príncipe que se apaixona por ela, depois ela perde o seu sapatinho e o príncipe começa uma busca pela dona daquele sapato de cristal, certo dia ele a encontra e blábláblá. Mais clichê impossível, não é? Porém não é nessa parte da história que eu estou interessado, não sei se vocês lembram, mas a cinderela precisa voltar pra sua casa antes de meia noite, se não o fizer, sua carruagem se transformará numa abobora e suas vestes voltarão a ser vestes simples de “gata borralheira”. Naquele tempo meia noite era a hora que tudo acabava, a noite e a festa tinha o seu fim determinado nesse horário. Hoje em dia tá tudo bem diferente, meia noite é o horário que tudo começa, antes disso nem se pensa em sair de casa, as cinderelas de hoje começam suas atividades exatamente meia noite. Claro que a preparação come...

Família

  Observando minhas filhas brincando na praça, fiquei pensando sobre a família, essa instituição que é a base (ou deveria ser) da nossa sociedade. Amigos nós podemos escolher, mas em relação a família, a gente literalmente nasce dentro dela. Indiscutivelmente há pessoas que levam mais sorte nessa loteria do que outras, mas o que é certo é que vamos aturar poucas e boas com as pessoas que cresceram com a gente. Sejam eles nossos pais, nossos irmãos ou outros parentes. A distância faz a gente amar qualquer pessoa, não é à toa que adoramos aquela amiga que mora longe, ou mesmo um namorado ou namorada que vemos poucas vezes. Conviver é a questão. Quer conhecer alguém? Vá morar com ela, tenho certeza que quase todas as amizades iriam desatar os seus nós com essa experiência. Com a família não vai ter jeito, não é como no caso dos amigos, não há como escolher. Só existe uma opção, tolerar os nossos primeiros parceiros da vida em sociedade. Quem foi filho único não deve entender mui...

Semana

  Vocês já repararam que cada dia da semana tem a sua “cara”? Não sei explicar muito bem isso, mas juro que é verdade. Eu estava pensando nisso neste domingo que passou – geralmente os domingos são bem chatos – mas isso eu vou falar quando chegar o momento. Vamos lá, comecemos pela segunda-feira. A segunda-feira é conhecida como o dia internacional da preguiça, também pudera, você vem de dois dias sem trabalhar e acaba perdendo o ritmo, mas não é porque você não trabalhou que está descansado. Há pessoas que vem de um final de semana agitado e por isso na segunda-feira estão um caco. Ainda podemos levar em conta o fator psicológico, o início das coisas sempre é mais difícil. Na terça-feira você já aceitou que tem uma semana toda pela frente, não tem para onde correr, se veste de coragem e vai trabalhar. Geralmente esse dia vai ser bem produtivo, mesmo que seja na marra, regado a café e outros estimulantes. O próximo final de semana está bem longe e nem dá para ficar distraído ...