Família

Hoje observando minhas filhas brincando na praça fiquei pensando sobre a família, essa instituição que é a base (ou deveria ser) da sociedade. Amigos nós podemos escolher, mas em relação a família a gente literalmente nasce dentro dela, indiscutivelmente há pessoas que levam mais sorte nessa loteria que outras, mas o que é certo é que vamos passar poucas e boas com as pessoas que crescem com a gente, sejam nossos pais, nossos irmãos ou outros parentes.
 A distância faz a gente amar qualquer pessoa, não é à toa que adoramos aquela amiga que mora longe, ou mesmo um namorado ou namorada que vemos poucas vezes. Conviver é a questão, quer conhecer alguém? Vá morar com ela, tenho certeza que quase todas as amizades iriam desatar seus nós com essa experiência. Com a família não vai ter jeito, não são amigos, não há como escolher, só existe uma opção, tolerar nossos primeiros parceiros da vida em sociedade.
Quem foi filho único não deve entender muito bem o que estou falando, mas quem teve muito irmãos com certeza sabe. Dividimos os mesmos espaços, mesmo aqueles que carecem de privacidade, isso se você conseguiu ter privacidade vivendo em uma família grande (acho difícil). Lugares comuns da casa sempre serão motivos para briga, na sala se briga pelo controle remoto da TV, no banheiro se briga pela bagunça que se faz ao usá-lo, no quarto quando esse é compartilhado reclamaremos da falta de silencio ou simplesmente do deixar ou não uma luz ligada. Na geladeira a frustração por ter guardado algum petisco para comer para depois pode dar início a 3º guerra mundial.
Uma coisa que me intriga e tenho certeza, é que só brigamos com quem gostamos, quem não está incluso no nosso “campo” de afetos não receberá uma crítica sequer, será colocado de lado, será ignorado. Quer saber se alguém se importa com você preste atenção se ela te chama a atenção e te critica nos momentos certos. Não é porque tem briga que não há amor, como já citei, eu acho que só tem briga porque há o amor. A família é como um braço ou uma perna, só lembramos deles quando dói, mas tenho certeza que ninguém gostaria de viver sem eles.

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