Amigos
Laura era uma jovem que estava sofrendo muito pela separação dos pais. Há quem pense que somente crianças sofrem com essa situação, mas não é verdade, desde que nascemos temos a ideia de que pai e mãe devem estar sempre juntos. Desde o acontecido, vive trancada no quarto ouvindo suas músicas favoritas, vendo filmes de comédia e conversando com suas amigas pelos aplicativos do celular. Ela lembra que os pais sempre brigaram, mas já faz algum tempo que a frequência e a intensidade das brigas haviam aumentado, ainda mais que seu pai tinha se envolvido com outra mulher, claro que quando sua mãe descobriu ficou muito decepcionada. Todavia, Laura acredita que a raiva foi apenas por ter sido enganada, o relacionamento deles já dava indícios que iria terminar faz muito tempo. Passado algum tempo apesar de ainda estar triste, Laura já estava se acostumando com a ideia.
O Pai se mudara, ela perdeu uma família, mas ganhou outra casa, a tragédia é assim, ela sempre traz alguma coisa de boa, mesmo que numa escala bem menor comparando com a parte ruim. Ser jovem é mais complicado do que os adultos imaginam, e eles deveriam saber muito bem disso, afinal, já passaram por essa fase. Cobranças em relação a profissão que vão seguir, por exemplo, e ainda julgam quando alguém abandona um curso e parte para outro. Laura se matriculou de novo no curso de inglês, ela tinha abandonado devido ao ocorrido, porém estava decidida a continuar. No primeiro dia de curso ela notou que um novo garoto estava matriculado, os dois estavam na sala esperando o horário da aula, notou que ele iria estudar no mesmo horário, logo eles estariam juntos na mesma sala. Havia algo naquele garoto que tinha lhe chamado a atenção, ela não sabia o quê. O garoto era mais ou menos da sua idade, se vestia com roupas de tom escuro, não necessariamente roupas pretas, não era lindo, mas também não era feio, apenas diferente e tinha algum magnetismo que fazia ela não parar de olha-lo. Após a aula, a caneta do garoto caiu e Laura se abaixou para pegá-la, no mesmo instante o rapaz tinha abaixado para pegar também, as mãos deles se tocaram, Laura sentiu um arrepio na espinha, uma sensação estranha, não necessariamente ruim, era bom, mas a assustou. O garoto agradeceu, se apresentou, disse que seu nome era Pedro e foi embora, Laura ficou com cara de paisagem, cumprimento Pedro, mas não entendeu o certo o que tinha acontecido.
Enquanto voltava para casa de ônibus, aquele garoto não saiu da sua cabeça, o assunto dos seus pais até ficou meio de lado, ela estava um pouco confusa, pensou nisso a noite toda. Sempre que ia para o curso se arrumava de uma maneira diferenciada, com bastante cuidado, já pensando no que Pedro pensaria. Os dois foram se conhecendo, aos poucos viraram colegas, depois amigos, há quem não acredita em amizade sincera entre um homem e uma mulher, mas era o que estava acontecendo. Laura continuava não entendo o que se passava na sua cabeça, ela sabia que não era somente amizade e apreço que tinha pelo seu colega. Até o momento que ela se tocou do que sentia, quis resistir, não sabia o porquê daquilo, achou que não era o certo, ela já teve vários namorados, mas naquele momento não queria aquilo. E a situação difícil dos seus pais? Laura decidiu ficar uns dias sem ir ao curso, ficou evitando. Pedro sempre que podia mandava mensagem para o celular da amiga perguntando o motivo pelo qual ela tinha sumido (Laura disse que estava doente).
O que Laura menos esperava aconteceu, o amigo foi até a sua casa sem avisar. Quando sua mãe disse que ele estava na casa e queria falar com ela, estremeceu. O pior de tudo é que a sua mãe sabendo da amizade dos dois pediu para que ele entrasse no seu quarto. Quando o amigo entrou logo de cara viu que Laura não estava doente. Laura abaixou a cabeça envergonhada, cruzou as pernas e juntou as duas mãos na frente do seu corpo. Ela decidiu que era hora de falar o que sentia para o amigo, Laura disse tudo. Pedro olhava para o seu rosto sem pronunciar nenhuma palavra, ficou apenas ouvindo o relato da amiga e viu o seu rosto ruborizado enquanto ia contando tudo que sentia. Quando Laura terminou de contar, um silêncio ensurdecedor se manifestou, Pedro simplesmente agarrou a mão da amiga e a beijou (Laura sentiu novamente o calafrio percorrer todo o seu corpo)...
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